 Oi irmãos, finalmente estou de volta. Passei um bom tempo sem postar, por causa da correria da minha vida profissional e também a missionária. Afinal são ensaios, reuniões, ... kkkkkk
Mas fiz questão de voltar trazendo uma entrevista com o músico católico Urbano Medeiros. Ele já esteve na Comunidade há alguns anos. Ele é considerado pela crítica como um dos maiores saxofonistas da atualidade.
Realmente muito boa mesmo! Espero que gostem... Xeros... :)
Quem é Urbano Medeiros?
Urbano:
Sou um pecador público, pequeno, limitado, cheio de defeitos, um pai de
família e avô. Sou um músico que, apesar de todas essas limitações, tem
vontade de colaborar com o Reino de Deus. Na Missa, falamos "Senhor,
não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja"; esse
é o meu lema de vida. Coloco-me muito simples nas mãos de Deus, porque
só Ele é grande. Lendo a carta de Bento XVI, cheguei à conclusão do
quanto ele é humano. Busco a simplicidade, busco ser pequeno, pois
somos de barro.
Você é de família judaica. Como aconteceu esse processo de conversão para o catolicismo?
Urbano:
Filho de pais judaicos sefaraditas, eu não sabia nem orar o Pai Nosso.
Lendo a vida dos santos da Igreja, tive um encontro com a fé cristã – e
o livro chegou em minhas mãos por providência. Eu era músico do
exército, tinha uma vida pagã. Li, então, a vida de Dom Bosco, São
Francisco de Assis, Santa Clara, e falei para Deus: “eu não acredito
que Jesus seja o Messias, mas se Ele existe, eu quero começar a
acreditar”. Busquei auxílio com umas irmãs salesianas e uma delas me
falou assim: "Todas as dúvidas que você tem, vá até a Igreja e lá tem
um lugar chamado sacrário. Os judeus colocam as tábuas da lei no
tabernáculo, nós colocamos Jesus". Eu fui para "ver no que ia dar".
Falei para Jesus que eu não tinha formação cristã, mas, se Ele
existisse, que me fizesse acreditar nele. Chorei por horas. Essa foi a
"derrubada do cavalo", pois o Espírito Santo fez uma obra nova em mim e
eu parti para uma confissão. Era Semana Santa e, no diálogo, o padre
percebeu que eu não tinha formação cristã. Então, ele me disse:
"Bem-vindo! A Igreja Católica tem lugar para todos!". São mais de 30
anos de caminhada e sou muito feliz por ser católico. Foi aos pés do
Santíssimo Sacramento que me encontrei com Deus. A maior 'revolução' de
todos os tempos chama-se Eucaristia.
Como a música entrou na sua vida?
Urbano:
Eu toco as músicas que Jesus, José e Maria ouviam. Maria cantou para
Jesus; Ela entoava salmos. O povo de Israel é muito musical. Meu
trabalho de pesquisa é esse. Recebo cartas de padres, bispos, exegetas,
homens do instituto bíblico de Jerusalém. O segredo é fazer tudo diante
do Santíssimo Sacramento. José construiu instrumentos como o saltério,
por exemplo; e a raiz do canto gregoriano é a música da sinagoga.
A minha família é sefaradita , cristãos novos que vieram para o sertão
do Rio Grande do Norte, região chamada Seridó. Meu pai, Bil Medeiros,
era músico e, com 4 anos, ele me despertou para a música. Com 7 anos,
eu já tocava vários instrumentos.
Quais países você já atingiu com a sua musicalidade?
Urbano:
Atingi até o Tibete, na Europa. Tenho muitos contatos com o mundo
ortodoxo, os patriarcas da Grécia, Antioquia, Constantinopla... Sempre
tento fazer essa ponte de diálogo entre o ocidente e o oriente.
Precisamos criar pontes, não barreiras. Para se cumprir aquilo que
Jesus falou: “Que todos sejam um”.
O que você espera de cada trabalho realizado? O que é mais desafiador, gravar ou divulgar o CD?
Tem um terceiro elemento muito difícil: pesquisar. O pesquisador não
tem valor no Brasil; não há patrocínio, subvenção. É tudo na
providência. Levei 5 anos para lançar o 'theotókos'. No segundo
trabalho, que fiz com meu irmão maestro, Totó Medeiros, ficamos anos
pesquisando e orando para gravar as músicas de José.
No Brasil
não há muito espaço para quem faz um trabalho assim. Eu vendo [CDs],
mas, às vezes, até dou um álbum. Faço minha obra muito mais para fora
do Brasil do que aqui. São os seminários e grupos de estudo que o usam
muito.
Gravar também tem um custo. As dificuldades são enormes,
mas eu espero que a minha música aproxime mais a humanidade de Jesus e
que, por meio desse pequeno trabalho, a pessoa que me ouve possa se
encontrar com Deus.
Como você administra a dedicação à sua família e ao ministério de música?
Urbano:
Quando eu casei com a Regina, fizemos o voto de ser um casal
missionário. Temos 3 filhos e conciliamos a missão com a família
através da fé, da providência.
Seu lema de vida é simplicidade dos primeiros cristãos. Como é viver essa simplicidade?
Urbano: É você, a cada dia, se colocar pequeno, barro nas mãos de Deus, com suas sombras e luzes, amando as pessoas, dialogando.
Os músicos precisam "beber" da Patrística dos padres primitivos da
Igreja. O músico trabalha com a vaidade, com os aplausos, mas nós não
estamos aqui para receber aplausos, porque somos ministros do sagrado.
Quando os aplausos vêm, não são para nós, pois quando Jesus entrou em
Jerusalém, as palmas eram para o Mestre, não para o burrinho. Então,
temos que ter cuidado com isso. Quando nos aproximamos dos ensinamentos
dos santos padres da Igreja, aprendemos o desapego e a simplicidade. Se
faço alguma coisa, é para o Reino de Deus.
Um conselho para os cristãos.
Urbano:
Amém à Palavra de Deus, a Eucaristia e Maria Santíssima – é a única
mulher no mundo que podemos chamar assim. Amém São José. Busquem a
partilha, a fraternidade, a ajuda mútua, contribuam com as obras de
Deus como a Canção Nova, que tem evangelizado o mundo.
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