 Jamais
a Palavra de Deus tinha sido ouvida ou conhecida por alguém, mesmo quando ‘no
princípio’ (Gn
1,1)
Ele criara os céus e a terra, ainda informe e vazia, quando as trevas cobriam
todo o espaço abismal e o Espírito sobrepairava as águas (Gn 1,2).
Então a Palavra do Criador manifestou-se assim na
edificação da obra da eternidade: ‘Faça-se a luz”. E a luz foi feita. Deus
viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.”(Gn 1,3-4).
Essa
Palavra permanece, porque a sua manifestação encheu-se de eternidade,
provocando o ensinamento de Santo Agostinho que assim escreveu sobre a
‘Eternidade do Verbo”: ‘Tudo isso eu sei, meu Deus, e por isso te agradeço.
Confesso-te, Senhor, que o sei: e comigo o sabe e agradece todo aquele que não
é ingrato à Verdade infalível. Sabemos, Senhor, sabemos que de algum modo uma
coisa nasce e morre, quando deixa de ser o que era e passa a ser o que não era.
Na tua palavra, nada aparece e desaparece, porque é realmente imortal e eterna.
Com esta palavra, que é eterna como tu, enuncias a um só tempo e eternamente
tudo o que dizes.” (Confissões, Santo Agostinho, pg. 336, n. 9, Paulus, 2ª edição, 1997).
Como o próprio Deus nunca
nasceu e não pode morrer, a sua Palavra não teve princípio nem fim como as coisas
criadas que ela anunciou.
Na
verdade, o Senhor sempre nos falou com voz humana desde a antiguidade
testamentária, pela sua eterna inteligência, a fim de que todos o pudessem
entender e Nele crer. No Evangelho, a sua voz humana repercutiu nos ouvidos dos
homens, tornando-os discípulos e missionários pelo entendimento da verdade
eterna proclamada por Jesus Cristo.
E, no
conceito agostiniano de tempo é clara a diferença que ele faz de tempo e
eternidade, envolvendo presente, passado e futuro. Dessa
forma, passado e futuro não contam em relação à existência, desde que o passado
não existe mais e o futuro ainda não existe e, se o presente permanecesse
sempre presente e não se tornasse passado, perderia a sua condição de tempo,
tornando-se eternidade.
A Palavra
de Deus é eterna porque ela é sempre presente. Jamais a Palavra foi passado
nem será futuro; é eterna, estando situada sempre no meio
de nós. E por estar eternamente no meio de nós e ter assumido a voz humana por
vontade do Pai quando enviou o Seu Filho para cumprimento da sua prometida
Misericórdia, tornou possível a nossa salvação.
Por
ser eterna, a Palavra de Deus proporcionou a nossa intimidade com Ele
pela convivência humana com Jesus que, por sua vez, assegurou a todos nós a
eternidade da vida pela Ressurreição, segundo a promessa do Pai.
Antonio
Lucena – Coordenador Geral da Comunidade Pio X
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