 Foi Jesus quem nos revelou em seus ensinamentos
que o Espírito Santo nos ensinaria todas as coisas, além de nos recordar tudo o
que Ele nos dissera durante os anos em que partilhou e viveu conosco (Jo 14,
24-25).
Também
chamado de Paráclito, que significava Consolador, Intercessor,
Advogado, como aquele que é chamado a assistir, de Espírito da Verdade,
presença inspiradora da veracidade de tudo o que se crê e se celebra na fé, o
Espírito Santo nos foi dado pelo Senhor ressuscitado quando disse “Recebei o
Espírito Santo” (Jo 20,22), para viver eternamente conosco como instrumento
de salvação.
Ao longo da nossa vida
como católicos, percebemos que a missão do Espírito Santo tem sido
primordialmente manifestar Cristo em nós, fazer-nos compreender e assimilar a
sua doutrina, a fim de nos inserir dentro do grande plano de Deus.
Assim, quando são Lucas
escreveu os Atos dos Apóstolos quis deixar bem claro que o Espírito
Santo é a força vital da Comunidade Cristã – a Igreja – que é, seguramente, a
forte energia interior de sua expansão diante do judaísmo e do meio pagão,
resultado daquela sobrenaturalidade derramada por Cristo sobre os seus
discípulos e apóstolos após a Ressurreição, e, de modo impressionante,
manifestada na manhã do dia de Pentecostes.
Ali, a assembléia dos
discípulos com Maria, dava início à atividade da Igreja fundada por Jesus para
que esse conjunto se espraiasse até “os confins da terra” para
estabelecer o reino de Deus a ser governado pelo Espírito Santo juntamente com
o Pai e Filho.
Hoje a ação do Espírito
Santo continua fecunda e poderosa, atuando mais do que nunca na Igreja,
exercendo uma ação incessante de vida e de santidade, tendo como princípio nos
dar uma existência onde desabroche a imitação de Cristo, estimulando-nos a ‘Viver
em Cristo’ como Maria viveu. O princípio da nossa santificação
pessoal para o serviço de Deus é a medida da nossa fidelidade ao Espírito
Santo.
O Espírito Santo nos
ensina a ser santos, como quer o Pai (Lv 20,7; Mt 5,48), porque é
santidade infinita o amor pessoal que complementa a santidade de Deus, vindo em
auxílio à nossa fraqueza, implorando ao Pai com gemidos inefáveis porque não
sabemos orar nem pedir aquilo que nos convém (Rm 8,26).
Como o Espírito formou
Cristo em Maria, a sua presença em nós tem a mesmo propósito, a mesma
finalidade, fazendo com que venham até nós as características especiais que
ilustravam o comportamento da pessoa de Jesus. Para isso é bom que não se isole
aquele que deseja conservar em si a ‘vida no Espírito’, procurando sempre os
conselhos de alguém experimentado nas vias espirituais, para que possam
ajudá-lo nas dificuldades que surgirem. É preciso ‘crescer’ no Espírito,
porque deixar de crescer é começar a morrer.
Como estão os nossos deveres,
as nossas omissões, os nossos relacionamentos com as pessoas,
a nossa fidelidade à vontade de Deus, a nossa convivência na
Comunidade? Um exame freqüente, sereno e objetivo será como o voltar ao
cumprimento da vontade de Jesus. Esse é um trabalho de toda a vida, porque a
perfeição a que o Espírito nos chama não conhece limites. É o ideal de ‘crescer’,
como o apóstolo Paulo arremata: “Não pretendo dizer que já alcancei esta
meta e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez
que também eu fui conquistado por Jesus Cristo” (Fl 2,12).
Antonio Lucena
Fundador
e Coordenador Geral da Comunidade Pio X
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