 Este
novo modo de viver, segundo a Palavra do Senhor Jesus, está assegurado aos que
‘nasceram de novo’ pela via do Espírito, quando assim estarão em condições de
ingressar, ver e participar do reino de Deus (Jo 3,3).
A estes, por conseqüência, são concedidos poderes
extraordinários como está dito no Evangelho de João: “Em verdade, em verdade
vos digo: aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e fará ainda
maiores do que estas;”
Nada disso seria possível se
a ‘força’ divina não encontrasse nas pessoas escolhidas por Jesus uma nova
fonte de conhecimento para o exercício do poder da fé.
Assim
aconteceu com os apóstolos, enviados pelo Ressuscitado depois de receberem o
Espírito Santo: “A Paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também
eu vos envio a vós. Depois destas palavras, soprou sobre eles
dizendo-lhes:“Recebei o Espírito Santo.”
Essa ‘vida no Espírito’
passa a ser a nova vida do cristão que não envolve tão somente a concepção do
Antigo Testamento de sopro ou vento, mas cuida verdadeiramente do
Espírito que está presente nos Evangelhos e nos escritos joaninos: o
Espírito comunicado por Jesus.
O
católico começa desempenhar a vida no Espírito quando renuncia à intimidade com
o mundo, fazendo morrer as obras da carne em virtude da docilidade que nos vem
mediante a ação do Espírito por meio da graça.
O
Espírito é um princípio operante, revelado e comunicado por Jesus e o
seu efeito vivificante é uma poderosa realidade que não pode ser fruto da
vontade do homem. Ele estabelece um relacionamento entre o cristão e Deus por
meio de Cristo no Espírito, o que fez o apóstolo Paulo reafirmar que passou a
viver pregado na Cruz de Cristo, dizendo: Eu vivo, mas já não sou eu, é
Cristo que vive em mim”(Gl 2,20). Para ele, o viver é viver em Cristo
(Fl 1,21). É a vida de Jesus manifesta em seu corpo (2Cor 4,10).
Por
isso, a Igreja proporciona a cada um de seus membros a continuidade da vida
de Cristo, que começa com a participação sacramental do católico na morte
redentora e na ressurreição salvadora através do batismo que o Espírito
confere. A nova vida é uma convivência com o Cristo ressuscitado, que
encontrará a sua plenitude na ressurreição do cristão (Jo 11,25-26).
Mesmo
vivendo na carne, o fiel já recebe a força da vida nova pelo Batismo no
Espírito Santo (Mt 3,11) que o habilita à vida eterna, desde que a morte física
não é definitiva.
Antonio Lucena – Coordenador Geral da Comunidade
Pio X
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