O papa disse que as pessoas de outras religiões não vão se salvar?"
O Vaticano divulgou no dia 10 de julho, um documento, datado de 29 de junho último, que esclarece questões doutrinais internas da Igreja Católica Apostólica Romana. Este texto reafirma de modo claro que a Igreja Católica reúne todos os requisitos da Igreja cristã fundada originalmente por Jesus Cristo e seus apóstolos e esclarece o que já foi afirmado no documento "Dominus Iesus", divulgado no ano 2000.
Estes esclarecimentos, apesar de tratarem de um assunto polêmico, não trazem em si nenhum elemento novo que atinja a causa da unidade dos cristãos, pois são todos assuntos já postos na mesa dos diálogos ecumênicos. O texto é obra da Congregação para a Doutrina da Fé, tendo sido previamente aprovado pelo Papa Bento XVI para publicação, em forma literária de perguntas e respostas, sem maior desenvolvimento das questões.
As "respostas" mostram que Bento XVI continua firme em suas convicções de defender o Cristianismo contra o relativismo contemporâneo e para isto ele aponta para a Igreja Católica como a única que, através de sua continuidade histórica, é capaz de manter uma referência moral e religiosa da herança cristã. Ao afirmar isto, o Papa indica que apenas na Igreja Católica estes valores podem ser encontrados de forma plena, pois nela subsistem os valores imutáveis do Cristianismo originário. Nas outras comunidades eclesiais cristãs, de acordo com o documento, estes valores estão presentes, mas com uma certa deficiência, tendo em vista que as mesmas não possuem a plenitude dos elementos da única Igreja de Cristo, segundo a auto-consciência da Igreja Católica.
A polêmica que se formou com essa declaração, segundo a qual apenas a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação, causou comoção em meio às igrejas protestantes, classificadas de simples "comunidades eclesiais" pela "Dominus Iesus". Porém, neste documento, anteriormente publicado, se defendia a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja: "existe uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele". O novo documento deverá combater "o relativismo eclesiológico" e retomar a questão em volta da expressão "subsistit in", presente no número 8 da Constituição Dogmática Conciliar "Lumen Gentium": a "Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica". Segundo a "Dominus Iesus", o Concílio Vaticano II "quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante às divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que «existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição», isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica" (n.º 16). O número 22 desta declaração, por outro lado, indicava que "com a vinda de Jesus Cristo Salvador, Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento de salvação para toda a humanidade". "Esta verdade de fé nada tira ao fato de a Igreja nutrir pelas religiões do mundo um sincero respeito, mas, ao mesmo tempo, exclui de forma radical a mentalidade indiferentista «imbuída de um relativismo religioso que leva a pensar que 'tanto vale uma religião como outra'»", escrevia o então Cardeal Ratzinger. (Ecclesia)
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