No presente a temática versa sobre Fraternidade e Segurança
Pública. O lema define os objetivos e o roteiro da Campanha, baseado na Palavra
de Deus, assegurando que “A Paz é fruto da Justiça” (Cf. Isaías 32, 17)
O
objetivo visado é o envolvimento da Igreja e demais entidades, reconhecidamente
respeitadas pela missão promotora da justiça e da paz.
A missão específica da Igreja é testemunhar que os valores humanos e
cristãos, efetivamente, corroborem para a edificação da civilização do amor, da
justiça, da paz. À Igreja cabe evangelizar, formando discípulos de Jesus Cristo.
Como Ele, os cristãos tentam ilustrar os valores humanitários, evangélicos, onde
vivem e convivem. Assim, as dimensões espirituais se encarnam na realidade do
dia a dia dos relacionamentos familiares e sociais.
Como fazer para que os valores espirituais se encarnem na vida do dia a dia
das pessoas e das realidades temporais? Vejamos. Cada instituição conserva a sua
autonomia nas realidades distintas, porém tem em comum a experiência vital de
muitos valores humanitários, cultivados por uma sadia espiritualidade. Ao
afirmar com convicção que a paz é fruto da justiça, a Igreja se integra às
demais instâncias que se empenham efetivamente numa cultura de paz. Trata-se,
pois, de nos capacitar para promover em todo tempo e lugar atividades que
conduzam à paz duradoura e benfazeja.
A Igreja se oferece para colaborar na construção de uma sociedade menos
violenta e mais fraterna, convidando as demais Igrejas e representações
significativas da sociedade para a mesma tarefa. Evidentemente, a segurança
pública incumbe ao Estado, não à Igreja. Como reza a Constituição Federal, os
direitos e deveres dos cidadãos, praticamente, conservam conhecido prefixo:
“saúde, educação, segurança (etc.) são direitos do cidadão e são deveres do
Estado”. Perguntemos, pois, quais são as condições que possuímos como cidadãos e
cidadãs de bem, colaborando com a segurança pública.
Na verdade nos sentimos condicionados pela violência estrutural. Estamos
envoltos num contexto de violência. O que fazer e como fazer para reverter o
clima de violência? Eis a temática anunciada: Fraternidade e Segurança Pública.
Fixemos dois pólos que fundamentam a violência. O primeiro pólo é a perda dos
valores éticos e morais. O segundo pólo é o crime organizado, qual polvo de mil
tentáculos lançando-os em todas as direções e lucrando êxito pela corrupção em
todas as esferas sociais...
Na tentativa de soluções a curto prazo parece urgente a organização de
polícia comunitária nos bairros, orientando os moradores a colaborar para a
prevenção do crime (organizado ou não). Movimentações suspeitas poderiam ser
denunciadas através de um “0800”. A capacitação de adolescentes e jovens em
vista de sua profissionalização fortalece os vínculos familiares e sociais, sem
que fique à toa uma massa de desocupados. A definição de critérios de horários,
de serviços, de funcionamento de bares, casas de shows, points (etc.),
descriminando e restringindo o uso e abuso de drogas, incluindo bebidas
alcoólicas de fácil acesso, certamente contribuiria para a diminuição da
violência e do narcotráfico. São medidas possíveis.
D.Aldo Pagotto - Arcebispo da Paraíba
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