 Seu verdadeiro nome é Advento. Seu significado não é uma espera no
vazio de algo que pode não acontecer, mas sim, de quem está construindo
sua casa para o Deus-conosco vir morar.
O estado de espírito dessa
espera manifesta-se numa incontida alegria do coração humano, “porque
será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc.1,45). Diz a expressão
popular: “A esperança é a última que morre”, e quando morre sempre traz
amarga frustração. Faz-se necessário diferenciar as duas esperanças: a
esperança humana apóia-se nas próprias forças e nela pode não acontecer
o que se espera e a esperança cristã, que se apóia em Deus, significa a
certeza da realização do que se espera, fundamenta-se na fidelidade de
Deus.
Advento celebra a espera das
duas vindas do Filho de Deus ao encontro da humanidade: a do passado e
a do futuro. Natal, acolhido na fé, acontece todo dia em nossas vidas e
sempre se renova. O Advento anima também nossa esperança na segunda
vinda do Senhor, sua volta com poder e glória no fim dos tempos como
juiz da história. Essa espera de sua volta não pode significar
aguardá-lo permanecendo de braços cruzados, mas deve manifestar-se nas
realizações de cada dia, através do empenho pela construção de um mundo
novo onde a justiça e a paz se abraçarão.
Esta volta no fim dos tempos, como Ele mesmo advertiu, será
imprevisível e inesperada e podemos senti-la antecipada, na vida de
cada um de nós. Esperá-lo, portanto, é estar a caminho para o encontro
com Ele, sempre em busca da conversão do coração. Os dois primeiros
domingos do Advento preparam-nos para a volta de Cristo no fim dos
tempos e, com uma palavra de ordem, convidam-nos a permanecer numa
atitude de vigilância que nos ajudará “a julgar com sabedoria os
valores terrenos e colocar nossa esperança nos bens eternos.” É
seguindo os passos de Cristo que se percorre o caminho do amor e da
justiça.
Terceiro e quarto domingos do Advento preparam-nos mais diretamente
para a celebração do Natal. Os textos litúrgicos, antes de tudo,
fazem-nos professar que sua vinda na história dos homens fora predita
pelos profetas. Diante da proximidade do Senhor (que a liturgia refere
à primeira vinda) é compreensível a pergunta de muitos, dirigida a João
Batista: “Que devemos fazer?” A resposta do Precursor, pedindo
conversão, fundamenta a autêntica alegria que estabelece nova relação
com Deus por meio do perdão dos pecados e da nova relação com o próximo
pela prática do amor e pelo respeito à justiça.
No quarto domingo, Maria da Anunciação acolhe a mensagem do Anjo
Gabriel. Ninguém melhor do que Maria para ajudar-nos a fazer nossa
preparação para o Natal. João Batista nos ensina a prepará-lo pela
penitência, Maria pela atitude de fé. Como ela, nós cremos em tudo que
foi escrito a respeito deste Menino. Preparou-se para o nascimento do
seu Filho dirigindo-se “apressadamente” à casa de Isabel, sua parenta,
para ajudá-la em sua gravidez de seis meses. Vai a esse encontro para
servir a quem dela necessita. Ninguém melhor do que ela percebe todo o
sentido da Encarnação e do Natal: sair de si e ir ao encontro do
necessitado. O melhor a fazer na espera do Natal é seguir este exemplo:
“Eis a serva do Senhor”.
Dom Eduardo Koaik - Bispo Emérito de Piracicaba
|