São Francisco de Sales distingue três espécies de falsas
amizades: as amizades carnais, que atraem pelas paixões carnais e pela
devassidão (cf. II Pedro 2, 18) buscando os prazeres voluptuosos; as
amizades sensuais, que se prendem ao ver a formosura, ao ouvir uma doce
voz, ao tocar; e as amizades frívolas, fundadas em qualidades vãs
(festas, bebedeiras, etc).
Assim como Deus nos dá amigos para nos conduzir à vida eterna e
experimentar as realidades do céu, corremos o risco de nos deixar
confundir pela falsidade, pelo erro das amizades que podem aparecer
para nos desencaminhar da santidade e da verdade. Precisamos pedir o discernimento dos espíritos [cf. I Coríntios 12, 10] a fim de analisar se as amizades são de Deus ou não.
Como podemos ter amigos que querem nosso bem e outros que querem
o mal. Estes últimos são chamados de falsos amigos. As falsas amizades
são as que se fundem em qualidades sensíveis ou frívolas. “(...) Não
persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias
frívolas” (cf. Efésios 4, 17), que são uma espécie de egoísmo
disfarçado. Essas amizades vivem daquilo que é mundano. (...)
“Principalmente aqueles que correm com desejos impuros atrás dos
prazeres da carne e desprezam a autoridade” (cf. II Pedro 2, 10).
Existem diversos tipos de amigos falsos: os amigos do copo, que se
reúnem somente para beber; amigos da prostituição; amigos do furto e
roubo; amigos de fofocas; amigos de ganância e interesses; amigos do
sexo. Como podemos identificar a origem dessas amizades? Partimos da
origem: elas começam de maneira repentina e forte, pois parte de uma
simpatia, de um instinto, de qualidades exteriores e brilhantes e de
emoções vivas ou apaixonantes. Seu desenvolvimento: alimentadas por
meios de conversas insignificantes, mas afetuosas, outras por meio de
conversas demasiado íntimas e perigosas, por olhares freqüentes, por
carícias, entre outros. Efeitos: são vivas, absorventes e exclusivas,
imaginam que serão eternas e seguidas por outras afeições.
Perigos dessas amizades: são os maiores obstáculos para o crescimento espiritual. À
medida que os apegos vão crescendo, vai-se perdendo o recolhimento
interior, a paz d’alma, o gosto dos exercícios espirituais e do trabalho.
O pensamento foge muitas vezes para o amigo ausente. A sensibilidade
toma as rédeas da vontade, a qual se torna fraca. Partindo para os
perigos relacionados à pureza.
Devemos fugir dessas amizades por intermédio da aplicação do
remédio certo desde o começo, pois assim é mais fácil, porque o coração
ainda não está preso. O rompimento deve ser feito de maneira firme e
energética. É necessário evitar procurar e pensar na pessoa em questão,
e cortar toda espécie de vínculo ou ligação, antes que seja tarde.
“Cortai, despedaçai, rompei; não vos deveis deter a descoser
essas loucas amizades, é forçoso rasgá-las; não convém desatai os seus
nós, devem-se romper ou cortar” (São Francisco de Sales).
Pois, quem se expõe ao perigo acaba por sucumbir.
|