 “A paz começa com o olhar respeitoso, que reconhece na face do outro uma pessoa,
independente da cor de sua pele, da sua nacionalidade, língua ou religião” –
lembrou Bento XVI .
Para o papa, “somente se tivermos Deus no coração, somos capazes de reconhecer
na face do outro um irmão na humanidade”.
O papa convidou todos a
realizar projetos de paz, depor as armas de todo tipo e esforçarem-se, juntos,
para construir um mundo mais digno do homem. Recordando o sofrimento de tantas
crianças atingidas por guerras em muitas partes do mundo, disse que “o rosto
destes pequenos inocentes é um apelo silencioso à nossa responsabilidade”.
Em referência ao 43º Dia Mundial da Paz, o pontífice evocou com veemência a
responsabilidade de quem vive na terra para com a preservação da
Criação:
“Se o homem se degrada, degrada o ambiente em que vive; se a
cultura tende para um niilismo, não teórico, mas prático, a natureza pagará as
conseqüências. Existe um nexo direto entre o respeito do homem e a salvaguarda
da Criação” – disse.
Assim – continuou – “é importante sermos educados
desde pequenos ao respeito do próximo, mesmo quando é diferente de nós, e à
responsabilidade ecológica, baseada no respeito do homem e de seus direitos e
deveres fundamentais”.
Bento XVI pediu que sigamos o exemplo das
crianças de hoje, cada vez mais em contato com coetâneos de várias
nacionalidades, que despertam em nós a ternura e a alegria por uma inocência e
uma irmandade que nos parecem evidentes:
“Apesar das suas diferenças,
choram e sorriem do mesmo modo, têm as mesmas necessidades, comunicam
espontaneamente, brincam juntas... As faces das crianças são como um reflexo da
visão de Deus sobre o mundo. Por que então tirar os seus sorrisos? Por que
envenenar os seus corações?”.
Em sua homilia deste início de ano, Bento
XVI re-propôs o conceito de ‘ecologia humana’, usado pela primeira vez por João
Paulo II, fortemente propagado por papa Ratzinger em sua encíclica 'Caritas in
veritate', e retomado na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010: “Se queres
cultivar a paz, preserva a criação”.
“O homem é capaz de respeitar a
criatura na medida em que traz no próprio espírito um pleno sentido da vida; de
outro modo será levado a desprezar a si mesmo e ao que o circunda, a não ter
respeito pelo ambiente em que vive, pela Criação. Quem sabe reconhecer no cosmos
os reflexos do rosto invisível do Criador, é levado a ter maior amor pela
criatura e maior sensibilidade pelo seu valor simbólico”. (CM)
|