 O critério adotado para declarar a morte com certeza, «o cessar completo e
irreversível de toda atividade cerebral», deve ser «aplicado corretamente»,
recordou o porta-voz da Santa Sé.
O diretor da Sala de Informação do Vaticano, Pe. Federico Lombardi S.J.,
publicou um esclarecimento após o artigo da edição de
«L’Osservatore Romano» em italiano de 1º e 2 de setembro, sobre a questão da
morte cerebral, assinado pela historiadora e jornalista italiana Lucetta
Scaraffia.
O Pe. Lombardi explica que o artigo é «uma contribuição interessante e de
peso», mas declara que «não pode ser considerado como a posição do Magistério da
Igreja».
De fato, explica o sacerdote, a posição da Santa Sé pode ser consultada no
discurso que João Paulo II pronunciou em 29 de agosto de 2000 ao dirigir-se aos
participantes no XVIII Congresso Internacional da Sociedade de transplantes.
Nessa ocasião, recorda o Pe. Lombardi, o Papa afirmou que «se pode afirmar
que o recente critério de certificação da morte antes mencionado, ou seja, o
cessar total e irreversível de toda atividade cerebral, se for aplicado
escrupulosamente, não parece estar em conflito com os elementos essenciais de
uma correta concepção antropológica».
O porta-voz cita as conseqüências que tirou João Paulo II: «o agente de saúde
que tiver a responsabilidade profissional dessa certificação pode basear-se
nesse critério para chegar, em cada caso, àquele grau de segurança no juízo
ético que a doutrina moral qualifica com o termo de ‘certeza moral’. Esta
certeza moral é necessária e suficiente para poder atuar de maneira eticamente
correta».
«Assim, só quando existir esta certeza será moralmente legítimo iniciar os
procedimentos técnicos necessários para a extração dos órgãos para o
transplante, com o prévio consentimento informado do doador ou de seus
representantes legítimos», concluía o Papa, segundo recordou o Pe. Lombardi.
O artigo de Scaraffia publicado por «L’Osservatore Romano» comemorava o 40º
aniversário da publicação do «Informe de Harvard», que substituía, como critério
de morte clínica, o cessar cardiovascular pelo eletroencefalograma plano.
A autora evocava novos elementos científicos, baseando-se em exemplos, como o
das mulheres em coma irreversível mantidas «em vida» para permitir que continuem
a gravidez até o nascimento do filho.
«O 40º aniversário da nova definição da morte cerebral parece a ocasião para
reabrir a discussão tanto no âmbito científico como no seio da Igreja Católica»,
sugere Scaraffia.
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