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Pregação: Efusão do Espírito Santo – Neuma de Fátima PDF Imprimir E-mail
Confira a pregação de Neuma de Fátima, Missionária da Comunidade Pio X, no quarto encontro do Seminário de Vida no Espírito Santo com o tema: "A Efusão do Espirito Santo".


O vento sopra onde quer, ouve-lhes o ruído, mas não sabe de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito Santo de Deus. Alguém aqui deseja uma vida nova em Jesus? Todos nós, na verdade, desejamos essa vida nova e o Espírito é esse poder que, de fato, nos faz filhos de Deus (Jo. 1, 12). Também o Catecismo da Igreja Católica, vem nos dizer que o Espírito nos capacita a vivermos como filhos de Deus e não como filhos do mundo.

Viver como filhos do mundo é viver longe da Eucaristia, da Igreja, dos sacramentos e hoje, o Espírito Santo quer nos dar a graça de ter uma vida nova em Cristo. Sem o Espírito não temos como caminhar até Deus. É o Espírito que nos conduz a Deus.

Na Igreja e na Palavra de Deus, existem alguns símbolos que representam o Espírito Santo na vida do povo de Deus. Podemos citar a “água”, “unção”, “fogo”, “nuvem”, “luz”, “selo”, “mão”, “dedo”, “pomba”. Quantas vezes dizemos que o Espírito é o dedo da mão de Deus. A água, por exemplo, é o sinal da ação do Espírito Santo que recebemos no batismo. A unção com o óleo é um sinal sacramental do batismo, através da Crisma (Ef. 4, 13). O fogo é a energia transformadora dos atos do Espírito Santo (Eclo, 48, 1). Muitas vezes estamos frios na fé, sem forças na caminhada... e por isso pedimos o “fogo” do Espírito Santo para energizar novamente as nossas vidas. A nuvem e a luz são símbolos inseparáveis; a luz revela o Deus vivo (Lc 9, 34-35).

Hoje pela manhã eu acordei e lembrei de uma situação que aconteceu na minha vida e que eu gostaria de partilhar com vocês. Quando eu era criança eu morava numa fazenda enorme, na casa de morador, e com muitas serras e matos. E eu sempre tive pavor de cobra. Certo dia, eu era criança, e a noite meu pai estava na fazenda e apareceu uma cobra grande, enrolada num filtro. Minha mãe pediu para eu chamar meu pai e tinha que pegar uma estradinha, com muito mato ao redor.

Da nossa casa dava para ver a fazenda, porque tinha luz na casa principal, mas era muito distante. O caminho até lá era muito escuro. Eu saí pela estrada, acabei entrando no mato para tentar chegar mais rápido e sentia muito medo. Quantas cobras não poderiam ter no meio do mato. Mas uma coisa me guiava: a luz da casa grande. Mesmo em meio ao medo, ao escuro, às trevas, a luz me guiou e graças a Deus saí fora do mato, gritei pelo meu pai e ele me pegou e correu para casa.

Perceba: mesmo estando sofrendo, com dor, nas trevas, eu não desisti e persisti. Quantas vezes, nós estamos em meio a essa escuridão na nossa vida. O Espírito Santo é exatamente a luz que me guiou e que me fez sair do mato. O Senhor é essa luz que precisamos para viver.

Então, a Efusão do Espírito Santo corresponde ao agir de Deus já presente na vida do fiel. É um acordar dos dons que foram colocados em nós pelo batismo (sacramento) e que, ao longo do tempo e pelo pecado, acabamos por sufocar. A Efusão não invalida o sacramento do batismo até porque não é sacramento. Mas dá ao crente a consciência de que é um batizado e que precisa viver mais intensamente a graça santificante de Deus. A efusão é um encontro pessoal com Deus.

E qual a finalidade da experiência da efusão do Espírito Santo? É a de nos encher desse Espírito Santo, de maneira que possa transbordar em nós a graça que iremos receber. A partir desse momento, nos entregamos totalmente a Deus pela ação do Espírito. A finalidade, portanto, é nos plenificar do Espírito Santo e reavivar a chama que já existe em nós.

Após essa graça, o Senhor pede de nós que produzamos frutos. E que frutos são esses? O fruto do serviço; não podemos receber a graça do Espírito Santo e não nos dispormos a servir para que outros também a tenha. Outro fruto é o Amor de Deus; o amor de Deus é manifestado em nós pelo Espírito que nos é dado (Rm, 5). Também a filiação divina. Está em Jo, 1, 12, todos aqueles que recebem o meu Espírito passam a ser também meus filhos. Outro fruto é a conversão (Jo. 3, 3-5). Com o Espírito em nós não conseguimos mais ser mesma pessoa. Passamos a ser novas criaturas. A caridade é outro fruto. E o que é a caridade? É a paciência, a temperança, e principalmente o amor por Deus e pelo irmão. Por fim, temos os carismas como fruto do Espírito Santo. Em boa parte das Cartas de Paulo, percebemos que o Senhor confiou carismas àqueles a quem batizou pelo Espírito.

Que possamos hoje abrir nosso coração para receber a graça que o Senhor tem reservada para as nossas vidas.

 

Neuma de Fátima

 

Missionária da Comunidade Pio X

 

Transcrito por Klebson Wanderley

 

 
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