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A Caridade Católica mudou o mundo PDF Imprimir E-mail
 

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Como vimos até aqui, meus irmãos, a Igreja Católica moldou o mundo ocidental em todos os seus campos: arte, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, tecnologia, astronomia, letras, línguas, mas o ponto mais impactante foi o da caridade, fazendo valer a Palavra que Jesus ensinou aos seus discípulos e que ressoa pelos séculos chegando até a gritar aos nossos corações: “Amai ao próximo como a si mesmo”.



Quantas escolas, asilos, casas de repouso, hospitais, creches, leprosários foram construídos pelos filhos da Igreja? São incontáveis as instituições assistenciais espalhadas pelo mundo com o objetivo de atender aos mais desfavorecidos. Para citar um exemplo, basta dizer que 25 % de todas as obras de assistência aos aidéticos hoje são mantidas pela Igreja Católica em todo o mundo. E é algo que não exige nada em troca, como acontece com as diversas formas de filantropia, onde se espera sempre algum retorno, seja em forma de reconhecimento ou destaque social.

É esta a caridade ensinada por Cristo, e que se tornara algo novo como amar o inimigo, perdoar os que nos perseguem. Entender esta realidade evangélica foi essencial para o desenvolvimento das ações sociais da Igreja como também para a constituição da Doutrina Social da Igreja, tão elucidada por Leão XIII e confirmada por Paulo VI e João Paulo II. Ainda que muitos dos filhos da Igreja tenham feito o oposto. Mas já dizia o Apóstolo Tiago: “a sua imensa caridade encobre uma multidão de pecados de seus filhos”.

Aqui vale lembrar tantos padres da Igreja que não apenas ensinaram, mas foram grandes heróis da fé e da caridade. Santo Agostinho, por exemplo, fundou um hospital para peregrinos, resgatou escravos e socorreu os pobres; São Cipriano de Cartago e Santo Efrém realizaram grandes trabalhos nos tempos de fome. Sempre foi aptidão da Igreja ao longo dos séculos socorrer os mutilados das guerras, acolher os doentes por ocasião das inúmeras epidemias. Era o principal diferencial entre católicos e pagãos. Os católicos no século III buscavam socorrer e até mesmo doar suas vidas por causa do socorro prestado a moribundos, mediante o risco de sofrerem contaminação. Além de enterrarem dignamente seus mortos. Os pagãos abandonavam até mesmo os amigos à sua terrível sorte. É uma situação contrastante: enquanto os pagãos saqueavam as vítimas das pragas, os cristãos se viam chamados a socorrê-las, inclusive a socorrer até mesmo aqueles que os perseguiam por serem cristãos. Isso é magnífico! O próprio Bispo Cipriano, de Cartago lembrava as palavras de Cristo ao exortar os fiéis: “Se nós fazemos o bem somente aos que nos fazem o bem, fazemos mais do que os publicanos e pecadores? Se nós somos filhos de Deus, que faz o sol brilhar sobre os bons e os maus, e manda a chuva sobre os justos e os injustos, vamos provar isso pelos nosos atos, abençoando os que nos amaldiçoam e fazendo o bem aos que nos perseguem”.

É impressionante o que o amor e a perseverança são capazes de fazer. É lutar contra toda a esperança como já dizia o Apóstolo Paulo. Como já dizia Agostinho: “Quem ama, pode fazer qualquer coisa”. Exemplos como o de Basílio, que, movido pelo amor aos pobres, os doentes e particularmente os leprosos, conseguiu construir uma verdadeira cidadezinha em Cesaréia batizada pelo povo com o nome de Basilíade. Essa obra causava a admiração não somente pela sua grandiosidade e modernidade, mas também porque Basílio tinha organizado tão bem a caridade que não lhe faltavam jamais nem pessoas nem recursos econômicos. Foi um administrador formidável. Talvez porque não sabia mexer só com contas, mas sabia cuidar das ovelhas que eram confiadas a ele. Usava a ferramenta indispensável: o amor, verdadeiramente vindo do coração, enraizado por Deus. Até o próprio Juliano, o Apóstata, arqui-inimigo da Igreja irritava-se com seus governadores que, cheios de dinheiro e ricos em escravos, não conseguiam realizar nada igual, enquanto que um monge sem um só centavo no bolso, e sem um escravo às suas ordens, fazia prodígios! E suas homilias?!! Quanta sabedoria para realizar seus apelos!! E falava com autoridade... Ninguém podia resistir. Podia se pronunciar sem medo, porque falava como pobre e depois de ter colocado a serviço dos pobres toda a sua vasta riqueza. Quem jamais tinha imaginado que o reitor de Atenas, fosse também um hábil administrador?

E como Basílio, tantos outros foram suscitados ao longo da história da Igreja, que somados à Hierarquia foram moldando o Ocidente e constituindo fragmentos de civilização do Amor espalhadas pelo mundo. Nos tempos bárbaros praticamente só a Igreja lutava contra a miséria. E assim foram surgindo hospícios, hospedarias para estrangeiros e leprosários mantidos pela Igreja, até surgirem ordens religiosas no século XI destinadas unicamente à caridade. Os mosteiros passaram a ser o ‘Patrimônio dos Pobres” e as casas especializadas em leprosos, começaram a se desenvolver. A Igreja tinha aprendido com o “beijo de São Francisco de Assis no leproso”, a ver neles um irmão em Cristo. Por isso essa Igreja é tão rica. Porque é tão pobre, porque deseja tornar-se cada vez mais pobre. Desejo esse manifestado por inúmeros dos seus filhos e filhas. Filhas como Clara de Assis, que dirigiu-se ao Papa Inocêncio III para obter um privilégio: o privilégio da pobreza, da liberdade de não possuir nada, para encarnar plenamente a bem-aventurança evangélica. Quando o Papa Gregório IX perguntou a Clara se queria renunciar ao privilégio que lhe fora dado por seu predecessor, ela respondeu: “Santo Padre, sob nenhuma condição e jamais em eterno, eu quero ser dispensada do seguimento de Cristo”. Numa época em que as mulheres, mesmo as consagradas, estavam sob a tutela do homem, a virgem de Assis soube responder àquele que na Igreja possuía o máximo poder. Tamanha a pobreza que tornava Clara de Assis, um claro espelho que refletia a luz de Deus. Por isso Francisco se referia à pobreza como virtude. Este homem que só conseguiu encontrar crescimento nas riquezas da simplicidade, pelo amor da Altíssima Pobreza. Na verdade, desde o princípio da Ordem até a morte, sua riqueza estava na túnica, no cordão e nas bragas. E o melhor de tudo. Ele sentia-se contente. Ele era feliz! E dizia que a Pobreza era a rainha das virtudes porque brilhava tão eminente no Rei dos reis e na rainha sua mãe. E é apaixonante o discurso que Francisco usava sobre esta virtude: “Sabei, irmãos que a Pobreza é o caminho especial da salvação, como fomento da humildade, e raiz da perfeição, cujo fruto é múltiplo, mas oculto. Ela é pois, ‘o tesouro escondido do campo evangélico’: para comprá-lo, deve-se vender tudo, e o que não se pode vender, deve-se desprezar em comparação com ela”.

Enumerar as diversas formas de caridade católica, é impossível! Algumas ordens religiosas se dedicaram à recuperação das prostitutas. Inocêncio III, numa bula de 1198, prometeu remissão de todos os pecados aos homens piedosos que desposassem essas mulheres reconduzindo-as ao bom caminho. É esta a Igreja de Jesus Cristo, que faz despontar homens como Pe. Pio de Pietrelcina, franciscano, que fazendo voto de pobreza, administrava milhões, mediante as doações de diversos fiéis do mundo inteiro, para a construção da Casa Alívio do Sofrimento, no ano de 1956, em São Giovanni Rotondo, para atender aos mutilados da II Guerra. O padre de Pietrelcina quis colocar no hospital os melhores materiais de construção. As paredes todas são decoradas com mosaicos manuais feitos um a um pelas mulheres da região. Há pilares de mármore com diversas cores, imagens sacras, capelas, flores e quadros. Este conjunto artístico gera a sensação de bem-estar, tornando-o, de fato, uma casa para o doente em tratamento. Hoje, o hospital atende cerca de 50 mil pacientes de diversas partes da Itália em busca do alívio de suas dores. Eles recebem não apenas o atendimento médico, mas a atenção e o amor de todos aqueles que lá trabalham.

Pois é! É algo que a sociedade acha bonito, louvável, mas eis o grande questionamento: Por que o mundo moderno não adere à opção pelos pobres, como fez madre Tereza, que viveu para servir aos pobres das ruas de Calcutá? E não desistiu, mesmo vivendo uma grande fase de escuridão espiritual que se prolongou até a sua morte. É um verdadeiro exemplo de mulher, virgem, frágil, mas ao mesmo tempo, impactante. Doente, moribunda, que ganhou o prêmio Nobel da paz, mas isso não mexeu com o voto de pobreza que outrora fizera. E sem ter absolutamente nada, enriqueceu a muitos. É! O mundo se encanta com tudo isso, mas não quer saber de aderir a esse projeto. Como não quis dar atenção ao Papa Pio IX, quando apontou em  seu Sylabus os erros que lhe levariam ao caos. Não quis ouvir a voz da Igreja no Concílio Vaticano I, quando este mostrou a harmonia entre fé e razão e a suprema autoridade do papa. Também não ouviu o apelo dos papas seguintes: Leão XIII, Pio X, denunciando os erros do Modernismo, Bento XV, Pio XI, Pio XII, que defendeu os judeus e cristãos até onde pôde contra o nazismo; João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, que lutou contra o comunismo até as últimas conseqüências. Tudo isso tem gerado a decadência moral, ética e religiosa. O mundo não quer saber do que pensa o Magistério Sagrado da Igreja, e por isso experimentou duas terríveis guerras mundiais com mais de 60 milhões de mortos e logo em seguida o comunismo com mais de 100 milhões de vítimas. E a sociedade parece novamente não estar disposta a ouvir a voz profética de Bento XVI, que nos fala da esperança que só se encontra em Deus. Será ouvido dessa vez?

É lamentável toda a perseguição feita contra a Santa Madre Igreja, apesar de ser incontestável o fato de  nenhuma instituição no mundo ocidental ter feito e fazer tanto como a Igreja Católica; Mas, infelizmente isto parece não ser importante para os que guardam um ressentimento contra ela.

 

 


 
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