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A crucificação de Jesus segundo a ciência PDF Imprimir E-mail

paixaodecristo_cena.jpgÉ interessante observar no Mistério da Paixão de Nosso Senhor, como o seu Corpo Sagrado, apesar das atrocidades cometidas contra Ele, encontrava forças diante do seu estado debilitado. Parece que quanto mais debilitado se encontrava Jesus, mais decidido Ele se mostrava a levar a cruz até o fim.



Seu corpo estava seriamente ferido, cortado, ensangüentado, estando sem comer há muitas horas, e tendo perdido muito líquido devido a transpiração e a hemorragia abundantes.

Quando expuseram Jesus ao povo, seu corpo estava dilacerado pelos soldados romanos, por ocasião de sua flagelação, e nele já se encontravam lesões profundas, sujeito inclusive a infecções. Afora o manto que puseram sobre Ele para realizarem todo tipo de zombaria. É interessante observar que quem sofresse o castigo do açoite, não era condenado a crucificação. Jesus sofreu os dois castigos. Por isso, Ele não suporta muito tempo na cruz. Morre antes mesmo que os dois ladrões, haja visto que uma pessoa poderia ficar até mesmo alguns dias pendurado no madeiro. Morreria mais de fome e sede tendo uma morte lenta. Jesus passou cerca de 6 horas apenas, vivo, na cruz. Seis horas de intensa agonia.

E diante de todo o escárnio, colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da cruz. Pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está fixada no Calvário. Jesus caminha com os pés descalços sobre terreno irregular cheio de pedregulhos. O percurso até o Gólgota é de cerca 600 metros. Ao observar os achados no Sudário de Turim, reconhecido pela Igreja como peça autêntica, que envolveu o corpo de Jesus no sepulcro, sendo a mais importante relíquia do cristianismo, percebe-se  formação de chagas na face anterior do joelho direito, especialmente na área da rótula. Sobre o ombro direito, notadamente na região logo acima da omoplata, percebem-se sinais de escoriações, traduzindo-se nesta região as marcas da cruz. Nas vezes que Jesus cai por terra, ora a haste horizontal da cruz, pendia para o lado, ora permanecia sobre a nuca de Jesus, tornando o impacto da queda ainda mais intenso, pois Ele deveria prostrar-se inicialmente de joelhos, gesto este que, acrescido do peso do patíbulo na região nucal, seu corpo era projetado para baixo com uma velocidade multiplicada, por ocasião do peso da madeira, fazendo chocar a cabeça contra o solo ou as pedras.

Como se encontrara exausto, a esta altura em estado febril, com fortes tremores em todo o corpo, sua musculatura, especialmente a dos ombros e coluna, já iniciavam gradativamente um processo de contrações tetânicas, o que também geravam dores insuportáveis. Desta forma obrigaram um certo Simão da cidade de Cirene para carregar a cruz atrás de Jesus. Gesto este que para o Sirineu poderia representar um trabalho sujo e de vergonha. Mal sabia ele que este gesto seria histórico e seu nome passaria à posteridade por milhares de anos.  Ajudou a carregá-la até o calvário. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma ulceração, ou qualquer outra grande ferida sabe do que estou falando. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas, sobretudo, as terminações livres, que são microscópicos receptores, captadores, da sensibilidade dolorosa. O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Um dos soldados encosta a ponta do enorme prego sobre um dos punhos, procurando a cavidade que ele bem conhece, no centro dos ossinhos. Aí o prego entra facilmente. É o que os anatomistas chamam de Espaço de Destot, localizado entre os ossos piramidal, semilunar, capitato e unciforme, ossos pertencentes ao punho. Neste lugar propício o prego rompe o nervo mediano: aquele que transmite sensibilidade à boa parte da mão. Com a lesão deste nervo, ocorre também a flexão abrupta do polegar. Isto é comprovado no próprio Sudário, onde se vê apenas quatro dedos. O polegar está escondido na palma da mão. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apoiam-no sobre o punho de Jesus, e com um golpe certeiro de martelo o cravam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente.

Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte. Alguns estudiosos afirmam que a perfuração do nervo mediano por um cravo pode causar uma dor tão incrível que nem sequer a morfina ajudaria, uma dor intensa, ardente e horrível, como relâmpagos atravessando o braço até a medula espinhal. A ruptura do nervo plantar do pé com um cravo teria um efeito semelhante. Ademais a posição do corpo sobre uma cruz foi pensada para tornar a respiração algo extremamente difícil. Em se tratando de Jesus, agora crucificado, percebe-se na cruz tudo aquilo que a dor tem de mais horrível e assustador aos nossos olhos. Pois na cruz, ali pregado, não se percebe simplesmente um homem nu, desmoralizado, mas uma verdadeira chaga. Além de diversos sintomas que Ele já manifestara: vertigem, cãibras, sede, fome profunda, falta de sono, febre traumática, tétano, gangrena de feridas expostas, tudo intensificado até o extremo, mas não até o ponto de dar à vítima o alívio da inconsciência. Até mesmo uma pequena brisa sobre a pele poderia causar uma dor intensa neste momento.

Estando Ele na cruz, seus ombros e seu dorso, esfregam-se dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que Jesus levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Além disso um estranho fenômeno vai se produzindo no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar. É semelhante a um asmático em crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim cianótico, caracterizando transtornos hemodinâmicos gravíssimos. Aos poucos, ele é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, o globo ocular se projeta para fora da órbita, fenômeno este conhecido como exoftalmia. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que todo este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes!! Eles não sabem o que fazem!! Impressionante o domínio que Jesus tem de si mesmo. Todo o auto-controle! Pois diante de todos estes sintomas, gravíssimos, que beiravam o colapso, Ele ainda demonstrava preocupação para que a misericórdia de Deus chegasse àquele povo e a todos nós que o crucificamos a cada dia com nossos pecados. E este gesto de esforço iria se repetir várias outras vezes, sempre que quisesse falar algo. Assim acontece quando Ele perdoa o ladrão Dimas, bem como, quando imprime a maternidade de Maria ao seu discípulo amado, figurado ali na pessoa de João, e posteriormente, na pessoa de cada um de nós.

Até chegar ao meio-dia... Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Contenta-se apenas, se assim podemos definir, com o próprio sangue, que escorre abundantemente pela sua Sagrada Face.

Jesus começa a atingir neste momento o ápice, segundo alguns teólogos, do seu sofrimento. É quando Ele diz: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" Neste momento até o Pai já o tem abandonado. Pois como disse o Apóstolo Paulo, “aquele que não teve pecados, Deus o fez pecado por nós”. O pecado da humanidade estava sendo crucificado em Jesus. O Pai se afasta, pois sendo Ele todo santo não está onde habita o pecado. Como se não bastasse o sofrimento físico, Jesus também teve que suportar o pior sofrimento espiritual. E o que se via ali era um pedaço de carne retorcido, mas o Pai também via um profundo e intenso incêndio de amor na cruz.

Estamos nos últimos instantes da vida de Jesus. Diante da sede, um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em algum tipo de bebida ácida, em uso entre os militares. Naquele momento, diante do estado de seu sacratíssimo corpo, já não adiantaria dar-lhe qualquer tipo de bebida. Seria como que o tiro de misericórdia. O próprio organismo se encarregaria de rejeitar. Até porque se nós observarmos a teologia, muito mais do que sede física que Jesus pudesse estar sentindo, ele sentia mesmo era sede de almas a serem salvas. Ele tinha sede que as almas se voltassem para ele, o que lhe causava um sofrimento espiritual dos mais intensos. Esta sede se perpetua até hoje.

E ainda... Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo sangue coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde. Alguns cientistas dizem que ocorreu um eclipse neste momento. A temperatura do ambiente diminui. E em Jesus se intensifica a hipotermia. Seu corpo quase não tem calor. Ele perde a pouca temperatura que lhe resta. Já sem força para respirar pelos ápices pulmonares, o ar acumulado nos pulmões, mas sem poder expirar, agrava-se em Jesus um quadro de insuficiência respiratória. Ainda consciente, Jesus, que viveu este sofrimento sem perder um minuto sequer dos acontecimentos, termina por exclamar, fazendo seu último esforço para falar: “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito”. TRÊS HORAS DA TARDE... Hora da Misericórdia. O Senhor expira...

Por minha causa... E por você...

Talvez você ache que eu tenha exagerado nos pormenores, mas Jesus sofreu muito mais do que estes pobres relatos e conclusões. É apenas para a tua conversão que eu cheguei até aqui. Penso que, todo este sofrimento já causaria muito espanto se fosse o sofrimento de um simples homem. Mas não é apenas um homem. Surpreende-me o fato de que este sofrimento e esta morte foi de um Homem, que é Deus. Isto é o mais chocante. Como Deus se dignou a morrer desta forma tão atroz?!!

Que todos os olhos se fixem nele e somente nele, e que Jesus seja conhecido e amado por todas as nações. Sua conversão, querido, é urgente! O amor de Deus não é consolação, simplesmente, é verdade de fé, é dogma, foi parar na cruz por tua causa. E o mais bonito. Ele não permaneceu na cruz. RESSUSCITOU. Mas, sobre este fato, ponto central da nossa fé, comentamos em outro momento. Forte abraço em Cristo crucificado, mas ressuscitado.


 
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