Hoje acordei com vontade de escrever.
Acordei com aquela sensação de contemplação da divindade na humanidade ...
Ainda que em uma humanidade tão imperfeita como a minha ... Como a nossa.
Graça e Paz, da parte de Deus nosso Pai e
da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na plenitude dos tempos se encarnou,
para a nossa salvação.
E aí
eu mesmo me questionava: Como Deus pode se satisfazer no humano? Em que
“manjedoura” hoje, Ele pode encarnar-se de fato?
E é interessante porque tudo isso me leva a
refletir sobre a realização de Deus enquanto ser humano. Deus se realiza
plenamente em Jesus, uma vez que o Pai não mais se pergunta: “Sobre quem
voltarei o meu olhar?” (Is 66,2). Contemplando este mistério de Natal, vê-se
que existe um ponto do universo, da criação, em que o Pai pode voltar o olhar e
encontrar toda a sua complacência. Sim!! Porque o nascimento, ou melhor, a
encarnação de Cristo, não é um acontecimento puramente histórico, confinado na
História; Ele incide também na eternidade. É o Eterno entrando no tempo;
Fazendo parte do tempo; Submetendo-se ao tempo. “Aquele que enriquece os outros
torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa
receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude,
aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu
participe de sua plenitude”, já dizia São Gregório de Nazianzo.
É bom poder meditar isso com meus irmãos de
comunidade! Nesta casa, nesta família, que eu chamo de Comunidade Pio X.
Família que luta para contemplar a encarnação do Amado no meio de nós a cada
dia. E mais do que encarnar-se, Ele quer viver em nós, mediante um mistério
incompreensível aos olhos humanos. A divindade se achega cada vez mais a mim
... A você, que foi paciente e compassivo comigo, por ter lido esta mensagem
até aqui. Pois é ... É esta a sensação que eu encontro neste
tempo que já vislumbramos – o Natal: Deus se achega a nós (ainda mais). Se Ele
quer viver em nós, necessário também é que vivamos nele. Que tal viver em
Cristo no outro ... Que tal começar a viver em Cristo no meu irmão de
Comunidade... Dentro da minha casa. Dentro da família Pio X. É difícil
evangelizar na nossa casa, não é?! E, sobretudo quando esta casa, esta família,
já exerce um trabalho lindo de evangelização na cidade ... No mundo ... No
tempo. Sendo sinal de redenção para os povos. Bom mesmo é dar o primeiro passo.
Mudar os gestos, as atitudes, tornar-se mais Eucaristia, eucaristizar-se por
amor do outro, ao ponto do teu irmão de comunidade poder perceber e dizer:
“Como ele está mudado! Ele está mais parecido com Cristo!!” E o melhor de tudo,
você busca esta mudança sem deixar de ser você mesmo.
Deus teve muita “boa vontade” conosco,
encarnando-se e nos dando acesso ao Pai. Que tal agora usarmos de boa vontade
com Ele, ou seja, responder ao mistério do Natal: Agir mediante a imitação do
mistério de Deus. Veja bem: Deus fez consistir a sua Glória em nos amar, em
renunciar à sua glória por amor. “Tornai-vos imitadores de Deus como filhos
caríssimos”, já nos exorta o Apóstolo (Ef. 5,1). Progredi na caridade e
caminhai no amor. Deus encontrou a sua Glória não tanto no ser amado, mas no
amar. Como dizia Francisco de Assis: que eu não procure tanto ser amado, mas
amar ... Ser consolado, mas consolar ... Ser compreendido, mas compreender.
Percebemos que Deus não se contentou em nos
amar com um amor beneficente, mas também com um amor de sofrimento. Para que
não o julgássemos diferente de nós, suportou fadigas, quis ter fome e não
recusou ter sede, dormiu para descansar, não rejeitou o sofrimento, submeteu-se
à morte e manifestou a sua ressurreição. Em tudo isto, ofereceu sua própria
humanidade como primícias, para que nós não desanimemos no meio do sofrimento,
mas, reconhecendo nossa condição humana, espere também receber o que Deus nos
deu.
Santo Hipólito, nos primeiros tempos da
Igreja, já ensinava algo que nunca foi tão atual, sobretudo na vida
comunitária: “Todos os males que suportaste sendo homem, Deus os permitiu
precisamente porque és homem; mas que tudo o que pertence a Deus, ele promete
conceder-te quando fores divinizado e te tornares imortal. Conhece-te a ti
mesmo, reconhecendo a Deus que te criou; pois conhecer a Deus e ser por ele
conhecido é a sorte daquele que foi chamado por Deus”.
Podemos dizer que este é o ponto de partida
para aquele que quer viver em
Cristo. Ser conhecido e tornar-se conhecido pelo Amigo, pelo
Amado. “Assim, todos conhecerão que sois meus discípulos. Se vos amardes uns
aos outros” (Jo 13,35). Por isso, se
você chegou até aqui nesta leitura, talvez até enfadonha, parabéns!!!...
Conseguiu me suportar. Já é um primeiro passo. Alegro-me com isso. Agora eu
mesmo vos exorto: Não basta mais dar, mas importa perdoar, não basta mais
presentear, mais é necessário sofrer pela pessoa amada e pela escolha feita. É
então que se vê se sabemos ou não imitar Deus. Principalmente, quando Jesus nos
ensina nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa
da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).
Imitar o mistério do Natal que celebramos
significa abandonar todo o pensamento de querer fazer justiça por nós mesmos.
Abandonar toda lembrança de maldade recebida, apagar do coração todo
ressentimento, mesmo justo, para com o irmão, teu irmão de comunidade. Não
admitir voluntariamente qualquer pensamento hostil, contra quem quer que seja.
Nem contra os próximos, nem contra os distantes, nem contra os fortes, nem
contra os fracos, nem contra teu irmão de comunidade. Ele pode ser uma pessoa
difícil na medida grande, mas eu não posso permitir que falem mal dele. É meu
irmão!
E tudo isto para honrar o Natal do Senhor,
porque Deus não conservou rancor, não olhou o mal recebido, não esperou que o
outro desse o primeiro passo em direção dele, para se encarnar. Enquanto
escrevo, estas palavras queimam em meu coração. Por isso dizemos que a
encarnação é para a glória de Deus, e a glória de Deus, como dizia santo Ireneu,
é o homem vivente, com uma vida nova. Para um Deus que é amor, a sua glória não
pode se consistir senão em amar.
Vamos entronizar de uma vez por todas Deus
no presépio do nosso coração, e que venham os anjos para adorá-lo, e que os
santos o contemplem e o celebrem eternamente, e que a Bela Dama – Nossa Senhora
da Natividade – possa nos ensinar sobre os segredos que Ela sempre meditou em
seu coração. Que Ela mesma – a Rainha, que é Serva por excelência, venha nos
ensinar a Viver em Cristo verdadeiramente. A começar por adorar este
Menino-Deus. Que o Menino-Deus seja adorado em toda a terra. É o desejo dos
Anjos, dos Santos, de toda a natureza que louva a Deus, este Deus que se
realiza na humanidade plenificada em Jesus. E é o meu desejo, de servo inútil que sou.
Que este Menino-Deus encontre corações-presépio onde Ele possa se realizar e
dizer: Eu me realizo em você.
Em ti Eu me comprazo.
A você, meu amado irmão, FELIZ NATAL ...
FELIZ NATAL para a glória de Deus no mais alto dos céus; FELIZ NATAL para você,
que eu tenho certeza, tem boa vontade no coração, e porque os anjos disseram
que a Paz pertence a pessoas de boa vontade como você. Sobretudo FELIZ NATAL
para ti, porque o Natal só existe por ti. Por tua causa! FELIZ NATAL!
“GLÓRIA A DEUS
NO MAIS ALTO DOS CÉUS
E PAZ NA TERRA
AOS HOMENS AMADOS PELO SENHOR”.
“ALELUIA E
GLÓRIA! O NOSSO SALVADOR NASCEU.”
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