
Ao
longo de todos estes séculos, a Igreja foi adquirindo um tesouro incalculável
que hoje, mais do que nunca precisa ser revelado.
E mais ... No mundo
globalizado em que vivemos e diante da atual crise econômica mundial que
passamos, é necessário esclarecer de onde vem toda a riqueza que a Igreja
ostenta para o mundo e que muito pouca gente sabe sobre sua procedência.
Pra
começar, a Igreja é rica por sua própria origem, pois foi o próprio Deus quem a
instituiu. Por isso, Ela é a detentora do maior tesouro, da maior herança que
este mundo poderia enxergar, mas infelizmente não conhece: o Mistério
Salvífico. É aquela que nos apresenta os
tesouros de Deus. E mais intrigante ainda é que tais tesouros divinos são
administrados por mãos humanas. Refiro-me sobretudo aos Sacramentos. É a Igreja
dos Sacramentos, que só existem graças à autoridade do seu Sagrado Magistério,
que se constitui a partir da sucessão apostólica. E da mesma forma que os
Sacramentos dependem da Igreja para existirem, são eles próprios que mantém a
Igreja viva, tornando-a dependente deles, a começar pela Eucaristia, a ponto de
João Paulo II afirmar que a Igreja vive da Eucaristia. A Igreja forma os
Sacramentos e é nutrida por eles. Quanta riqueza! Um escândalo para os pagãos,
não é verdade!?
Ademais,
Ela é riquíssima porque se fez pobre, aliás, paupérrima, a começar por Jesus
Cristo, que sendo Deus, entrou no tempo, assumindo a condição humana e
humilhando-se a si mesmo, esvaziando-se a si próprio, até tudo se tornar
consumado... recapitulado na cruz. Quanto Mistério!
Por
isso Ela é tão rica! Porque foi o próprio Jesus quem lançou as bases para a
edificação de nossa fé ao dizer a Pedro, um mero pescador, “Tu és Pedro e sobre
esta pedra edificarei a minha Igreja”. Pedro ... o pescador de homens, pescador
de almas. Quanto legado este homem tão pouco instruído nos deixou? Sem os
recursos da oratória, sem competência alguma para administrar, governou a
Igreja em seus primeiros anos, que foram extremamente dramáticos, tornando-se
verdadeira Pedra, Rocha, alicerce para a edificação da Igreja de Nosso Senhor,
sobretudo naquele tempo de perseguição. Pedro, como os demais Apóstolos, André,
Tiago, João, Tomé, Filipe, Tiago Menor, Bartolomeu, Mateus, Simão, Tadeu,
Matias, tinham algo em comum, e isto foi decisivo para a conservação da
Unidade: tinham todos a coragem de entregar as suas vidas por Jesus Cristo,
oferecendo seus corpos como sacrifícios vivos (Rm 12, 1), constituindo um
verdadeiro culto espiritual. Um a um foram martirizados por amor a esta Igreja.
E era esta a grande riqueza que utilizavam, que se tornou a arma decisiva para
lutarem e mesmo morrendo, ainda permanecerem vitoriosos: o Amor. E diante do
amor que os motivava a lutar e que só Deus enxertava em vossos corações, os
pagãos, o exército de Roma, os implacáveis imperadores, ... ninguém conseguia
explicar a razão de tanto ódio contra os membros desta Igreja, que eram levados
a lançar mísseis de perdão, rajadas de caridade e bombas do mais profundo amor
de Deus. Sem o Império Romano perceber, isso causava um estrago medonho em seu
exército. É! ... A Igreja já nascia rica, dotada inclusive das maiores armas
para o combate, mesmo sendo tão pobre. Afinal, quem sempre a guiou desde o
princípio foi ninguém menos que o Espírito Santo! E o único estandarte usado
por eles: dois pedaços de madeira, que se entrecruzavam. Até hoje é exposto nas
igrejas, catedrais, estabelecimentos jurídicos, comerciais, empresariais.
Quanta influência não é verdade!?
Influenciou
até os escritos de pagãos como Tertuliano de Cartago, ao afirmar, vendo os cristãos com
seus olhos de pagão: “Vede como eles se amam!” Os cristãos não venciam pela
espada. A arma era outra: o amor, que tudo suporta, no dizer de Paulo de Tarso. E o amor ia vencendo o implacável Império
Romano do Ocidente, que nem o fabuloso império Macedônico, ou o poderoso
império Grego, com todo o seu apogeu, conseguiram conquistar, uma vez que os
pensamentos cristãos, o desejo de construção de uma nova sociedade, de uma civilização
do amor, se enraizavam paulatinamente entre os cidadãos de Roma. Como já dizia
Daniel Rops, “a espada se curvou diante da cruz”, estas duas tábuas de madeira – a
semente do grande patrimônio que a Igreja acumularia em todos estes séculos.
Que escândalo entre os pagãos! Roma, a Cidade Eterna, a cidade que tinha tomado
o mundo, finalmente foi tomada, pelos bárbaros. O tesouro dos mártires, que era
o seu sangue, já tinham banhado o solo de Roma, as arenas, o Coliseu, tornando
o lugar de tantas mortes, um lugar sagrado. E por fim era Roma que se rendia,
perante os Bárbaros, imbuída que já estava a esta altura dos princípios
Cristãos, e porque não dizer dos sentimentos de Cristo. Roma não percebia, mas
ficara pobre, e ao mesmo tempo se enriquecia. Antes dos Bárbaros, a Igreja já
tivera instituído ali a sua sede. Bem no foco das perseguições.
Inacreditável!!!
E
tudo começou com pequenos gigantes da fé, que precisavam servir de tapete, de
base mesmo, e que lutavam não apenas contra Roma, por causa do testemunho de
Jesus Cristo, adquirindo para si um verdadeiro e incontável tesouro intelectual
e doutrinal, tornando-a ainda mais rica por ter suscitado Agostinho de Hipona,
que enfrentou heresias como o Pelagianismo e o Maniqueísmo; Ireneu, que
enfrentou o gnosticismo, Inácio de Antioquia, discípulo do Apóstolo João, e que
enfrentou os leões; Policarpo, que enfrentou a fogueira, Basílio, Gregório de
Nissa, Gregório de Nazianzo, e tantos outros padres da Igreja. Quantos
ensinamentos??! E quanto mais tomamos consciência disto, fica mais difícil
contabilizar a dimensão do patrimônio desta Igreja, que até hoje escandaliza a
muitos. A única instituição a estar de pé em plena atividade por dois mil anos
aproximados. Uma estrutura religiosa logicamente criada pelo divino e que
apresenta desde cedo um código legislativo, o Código de Direito Canônico, que
regulamenta todos os aspectos de vida da Igreja e que acabou por influenciar as
leis civis e penais do nosso tempo. É esta a Igreja de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que já afirmara na plenitude dos tempos sobre a necessidade de dar a
César o que lhe compete e a Deus o que é de Deus.
Pois
é! É a riquíssima Igreja dos Doutores, que iam surgindo à medida que havia necessidade. E até mesmo quando se levantava alguma heresia, a Igreja
saia vitoriosa, podia até parecer como disse São Jerônimo, que exclamava
chorando: "O navio está afundando!" E tantos outros que surgiriam em seguida com
esta mesma impressão. É aí quando se levantava alguém como Santo Atanásio, para
defender a Igreja contra o perigo dos arianos, ao lado de Agostinho; Sem falar
em tantos outros como São Leão Magno que deu a Sé Apostólica uma autoridade que
jamais haveria de perdê-la, enfrentando com coragem e sabedoria os bárbaros Átila e Genserico; Além de Antônio de Pádua, o Doutor Pregador, de cuja língua se mantém incorrupta , intacta, no Santúario de Pádua; Santo Tomás de Aquino, que com seus escritos e seu jeito pacífico e reflexivo, transformou com a Suma Teológica a teologia e a Filosofia. São Bernardo, com sua grandiosa e consciente devoção pela Virgem Maria; E isto me faz recordar quantos debates teológicos, quantas discussões doutrinárias foram geradas ao longo de todos esses anos. Discussões necessárias para o amadurecimento da fé e para melhor consciência sobre a sã doutrina da Salvação; Sem falar nas expreiências místicas e dotadas de ensinamento de São João da Cruz - o Doutor do Tudo e Nada; São Francisco de Sales, com o seu Tratado sobre o Amor de Deus; E as grandes doutoras: Santa Catarina de Sena, que revelou para a Igreja o seu "Diálogo" com o Pai em sua mais famosa obra (O Diálogo); Tereza de Ávila, que reformou o Carmelo feminino; e Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, que da clausura de um mosteiro em Lisieux, França, foi proclamada Padroeira das Missões. Meu Deus, quanta riqueza! Já me perdi nos cálculos de quanto vale hoje no mundo o Patrimônio da Igreja, que não foi abalado nem com a atual crise mundial. Pelo menos o meu consolo é que não há contador no mundo capaz de pôr no papel a somatória de tamanha riqueza, pois estes valores só podem ser lidos pelos próprio Deus. E ainda falta falar sobre a riqueza do papado, os dólares e os Euros do Estado do Vaticano e como pessoas que fizeram voto de pobreza na Igreja administravam milhões. Mas a noite já se faz avançada... É madrugada! Vou deixar para um outro momento.
A propósito, aproveito o ensejo para desejar um Feliz Ano Novo amigo internauta!
Feliz Ano Novo Igreja. Como é bela nossa Igreja! Como é Santa! Como é Católica!
Abraços!!!
Romero Frazão
a, enfrentando com coragem e sabedoria os
berds arianos, ao lado de Agostinhoeis civis e penais do nosso tempo. menecerem
vi
|