
Confesso
que fazer um comentário sequer sobre o Vaticano, não é tarefa fácil. Pois, nem
a história antiga greco-romana é envolvida em tantos mistérios como a história
do papado.
A história de homens das mais variadas
estirpes. Desde um simples pescador, passando por aristocratas, intelectuais,
vindos da zona rural, enfim, homens ... pecadores, administrando o Divino. É o
Divino sendo administrado por mãos humanas. Que fantástico!!! É
extraordinário!!! Quanta misericórdia de nosso Deus!!! Por isso essa história é
envolta em mistério.
Pelo
Vaticano passaram papas sem instrução alguma para governar a Igreja, mas também
houve grandes teólogos, filósofos... Houve santos Padres que eram
verdadeiramente santos... Até alguns mártires. Mas também houve quem fizesse
vergonha para a Igreja, se me permitem comentar. Mas até isso é evangélico,
pois é a parábola do joio e do trigo presente na vida da Santa Igreja de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
Pois
é!!! Muitos questionam sobre a economia vaticana, as contas, os dólares, os
euros, as telas e esculturas que valem
milhões e que dariam para alimentar a população carente e subnutrida da Somália
ou do Zimbábue, não acha!? Ou quem sabe, é tanto dinheiro que daria para
extinguir a guerra lá em Gaza e promover a paz entre palestinos, israelitas,
judeus e norte-americanos. Porque algum dia em sua vida com certeza você já
deve ter se perguntado sobre isso. Talvez porque não saiba que a Igreja
Católica é a instituição mais caritativa do mundo. Esta instituição que deu
origem à pesquisa com fundamentação científica, já que foi a grande fundadora
do sistema universitário na Europa. Ou como dizia Daniel Rops, um grande
historiador francês: “a Igreja passou a
ser a matriz de onde saiu a Universidade”. Mas comentemos sobre aquilo que
realmente é da Igreja. Sim!! Porque nem as famosas pinturas e esculturas de
Michelângelo, bem como todo o ouro presente na Basílica de São Pedro ou na
Capela Sixtina, nada disso é da Igreja. Constituen-se em Patrimônio Histórico
da Humanidade. É um tesouro “mixuruca” se comparado ao verdadeiro tesouro que a
Igreja detém. Até porque as questões econômicas do Vaticano como o caso do
Banco Ambrosiano, as determinações do Tratado de Latrão em 1929 que deu à Santa
Sé autonomia perante o Governo italiano, nada disso apesar de extremamente
importantes, são tão apaixonantes quanto o que se passa nos bastidores do
Patrimônio de São Pedro, ou seja, por trás da colunata de Bernini.
Nada
mexe tanto com a rotina medíocre do mundo, como a realização de um Conclave.
Mexe com o mundo oriental e ocidental. Até porque este chefe de Estado chamado
Papa, este Pedro, que é perpétuo, incomoda muita gente, sejam católicos,
pseudo-católicos, protestantes, muçulmanos, judeus, árabes, hindus, budistas,
ateus... todos param para ouvir o que o Papa pensa ou diz sobre dado assunto,
ainda que não concorde. E tudo isso acontece independente do testemunho que o
Santo Padre tiver prá dar. Porque não é a pessoa que está ocupando a cátedra de
Pedro que é importante, mas o Ministério Petrino que ele assume, e que lhe
confere não só o Poder temporal, mas o poder espiritual de ligar e desligar
aqui na terra.
E
sem falar nas lutas doutrinárias que perpassam os séculos e que vem confirmar
sob a assistência do Divino Espírito Santo, a sã doutrina da Salvação, o
Depósito da Fé, tão defendido por São Paulo. Verdadeiras batalhas que envolviam
grandes nomes. Doutores como Tomás de Aquino, Agostinho de Hipona, Duns Scoto,
Bernardo, Luís de Montfort, Francisco de Sales. Cada qual a seu tempo,
contribuindo para o fortalecimento desta doutrina, fazendo valer o que Paulo
falava e hoje nós confirmamos: “eu sei em
quem eu pus a minha fé”. Pessoas que eram suscitadas nos tempos de maior
crise na Igreja. Sobretudo quando sua jerarquia se mostrava doente, eram
necessárias as discussões teológicas para fortalecer a fé transmitida pela
tradição, sempre submissa ao Sagrado Magistério, que assegura a unidade.
É
a capacidade que a Igreja tem de, mesmo sendo sobrenatural e portando tesouros
divinos em vasos de barro, conseguir sobreviver neste mundo, segundo o dizer de
Francisco de Sales: “Ninguém pode viver
neste mundo se não for atraído pelo Pai Eterno”.
E para os que dizem que é
só uma questão de cultura, costumes de um povo, jeito de enxergar o ser criado
e o ser criador, a Igreja ainda consegue enraizar a evangelização na cultura. É
a façanha de evangelizar a cultura. Por isso que depende tanto de nós.
Capacidade de influenciar até mesmo a literatura, como as Confissões, de Santo
Agostinho, que, já tem cerca de 1600 anos e ainda é hoje obra-prima da
literatura mundial. Agostinho mergulhou na metafísica, na dialética, na
filosofia, tendo escrito verdadeiros tratados como a De Trinitate, Doutrina
Cristã, Tratado da Trindade, Cidade de Deus, e tantas outras obras que
influenciam o mundo até hoje. E quem nunca ouviu falar dos belíssimos Sermões
de Padre Vieira, da Suma Teológica de Tomás de Aquino, do Diálogo e das Cartas
de Catarina de Sena. Ah! São incontáveis obras. E há quem diga que a Igreja se
opõe à Razão. Parece até irônico afirmar que o primeiro livro impresso foi uma
Bíblia - a Bíblia de Gutemberg - sendo um grande marco para o racionalismo. E o
interessante disto tudo é que se trata de um livro que revela a nossa fé, e que
nos faz acreditar que a fé e a razão sempre andaram juntas na História da
Igreja.
É
esta a rica Igreja dos Papas, e que papas!!! A quem os grandes santos rendiam o
Sagrado voto de Obediência. Muitos dos santos se inclinaram diante do Papa e
nenhum foi nada sem ele. Francisco de Assis, o enamorado da Pobreza ajoelhou-se
diante de Inocêncio III, pedindo-lhe que aprovasse sua Regra de Vida, ao qual o
papa consentiu; Catarina de Sena foi ao encontro de Gregório XI alertar-lhe
sobre os perigos iminentes pelos quais passavam a Igreja; Terezinha do Menino
Jesus foi pedir a Leão XIII que a deixasse entrar no convento aos 15 anos de
idade. Até o próprio Paulo, Apóstolo dos gentios, foi ao encontro de Pedro. E
sem falar na tomada de atitudes de vários pontífices. Atitudes que mudariam os
rumos da História. Desde o caráter doutrinário até o âmbito moral. Que outra
Igreja teve um Pio V, que fez constituir o Rito latino para celebração da Santa
Missa, de significado teológico esplêndido, retratando o Real e Perpétuo Sacrifício
de Cristo? Qual instituição teve um Julio II ou um Leão X, verdadeiros patrocinadores de
inúmeras obras de Arte como a Pietà, de Michelângelo, ou as pinturas da Capela
Sistina do Vaticano? Afinal, qual é a Igreja que teve um Pio IX o qual teve a
ousadia de proclamar Maria Imaculada, após séculos de debates teológicos, e um
João XXIII, que já velho resolve convocar um grande Concílio que mudaria os
rumos da Igreja para sempre? E que outra família apresentou um Pio X, que
embora tivesse a mansidão de um cordeiro, mantinha a força de um leão, lutando
contra as correntes modernistas às portas da Igreja e de cujo corpo encontra-se
incorrupto em Roma?
Sim!
Esta também é a Igreja dos corpos incorruptos... Porque nenhuma outra
instituição apresenta relíquias de tamanha grandeza. Corpos que não se
decomporam. Que outra Igreja apresenta uma Catarina de Labourrè, ou um Vicente
de Paulo de cujos corpos estão até hoje expostos em Paris? Uma Bernadete,
exposta para visitação em Lourdes? E que Igreja apresenta conservada até hoje
em Pádua, Portugal, uma língua ainda rosada de um certo Santo Antônio. É a
prefiguração dos corpos incorruptíveis que São Paulo mencionava.
E
quantos testemunhos!!... De mártires como Perpétua, Felicidade, Policarpo,
Sebastião, Maximiliano Kolbe. É a belíssima Igreja das virgens, a começar por
Nossa Senhora, seguida de tantas outras: Inês, Cecília, Luzia, Clara, Terezinha,
Tereza d’Ávila, entre inúmeras combatentes que formam um grande e casto exército
de esposas do Senhor. É a riquíssima Igreja das ordens religiosas de Domingos,
Agostinho, Benedito, Francisco, Clara, D. Bosco, com seu desejo insaciável de
formar uma juventude santa. É a Igreja de um certo Karol Wojtyla, João Paulo
II, o papa das multidões oceânicas, o papa que chegou até onde nenhum outro
pontífice até então conseguira, de modo que até mesmo os maus vinham a ele.
Este homem, também ator de teatro, atleta, operário, bispo, diplomata, cardeal,
peregrino, e que em seu funeral reuniu uma multidão jamais vista em Roma por tantos
dias. E que outra Igreja reuniu mais de 4 milhões de jovens em uma única
jornada?
Pois
é! Esta é a Igreja da música sacra, da arte sacra de Michelangelo, Rafael,
Signorelli. É a Igreja das grandes catedrais góticas que há mais de mil anos
contam a história da civilização ocidental (Paris, Florença, Bolonha, Veneza,
Viena, Notredame, Milão,Verona, Sevilha). É a rica Igreja fundadora das
primeiras universidades do mundo (Oxford, Sorbone, Coinbra). É a Igreja do
Vaticano, da Santa Sé, tão necessária para o Governo temporal da Santa Madre
Igreja, da qual depende o mundo. Porque toda a História hoje gira em torno do
Vaticano. O resto do mundo é apenas cenário. E há quem diga que é mais fácil
desvendar os enigmas da esfinge de Tebas - cujo segredo é o próprio homem – do
que deslinchar os mistérios do Vaticano, cujo segredo é também o Homem. Porém
no Vaticano, há mais do que o homem, há Deus. É Deus agindo na História, no
tempo. E se quiser ainda compreender os mistérios do Vaticano, vale lembrar que
você tem que dispor de uma bibliografia bem selecionada. Os livros mais
fidedignos não existem no Brasil. Documentos, biografias, memórias, ... há
muito que ser explorado, e claro, sempre buscando ler as entrelinhas!
E
você ainda pergunta: Mas ... E os dólares?? Os euros?? As contas do Vaticano,
os funcionários?? Como explicar o fato desta ser a menor nação soberana e ainda
assim uma das mais poderosas? Em outra ocasião quem sabe, possamos comentar
sobre o PIB (Produto Interno Bruto) do Vaticano, não medido em dinheiro, mas em almas. As almas que
constituem esta grande família da qual fazemos parte: A Igreja CATÓLICA
APOSTÓLICA ROMANA. E se você ainda não faz parte desta família, junte-se a nós!
Una-se a Roma, a esta Igreja, tão santa, tão católica... !!!
Até breve...
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