O Século XIX teve seu desenlace de maneira conturbada pela revolução industrial, pelo crescimento desordenado das cidades, e principalmente pelo aparecimento de uma nova filosofia que afrontava o Poder e a Religião: o marxismo.
Para enfrentar uma turbulência como essa, a intervenção do Espírito Santo ficou absolutamente clara: Leão XIII governara a igreja durante vinte e cinco anos e produziu a maior obra de Doutrina Social da Igreja - a encíclica Rerum Novarum. Ao falecer, em 1903, deixa uma preocupação ao mundo católico: qual dos cardeais estaria à altura de assumir tão brilhante Pontífice?
Giuseppe Sarto nasceu na pequena aldeia de Riese, na Diocese de Treviso - Itália - em 1835. Sua família era muito pobre, mas de uma vivência espiritual muito profunda. A inteligência incomum do pequeno Beppe evidenciou-se logo na primeira infância. Entre os 10 e 14 anos, percorria vários quilômetros com apenas um pedaço de pão que lhe servia de almoço, para estudar. Já nessa época demonstrava vontade de ser padre, o que era motivo de orgulhos para humilde família.
Depois de brilhante êxito nos estudos, foi ordenado sacerdote, em 1858, quando contava com 23 anos. O padre Sarto era uma pessoa muito especial. Muito bem visto pelos seus superiores, foi crescendo na carreira sacerdotal, sem, no entanto, perder a profunda humildade que foi traço marcante de toda sua vida. De vigário auxiliar de uma pequena aldeia italiana, passou a dirigir outra bem mais importante, tendo sido nomeado Cônego em Treviso, para depois ser nomeado bispo da diocese de Mântua e, finalmente, Cardeal-Patriarca de Veneza, uma das mais tradicionais dioceses italianas.
A morte de Leão XIII, em 1903, levou-o a Roma para a eleição do novo papa. Depois de piedosas orações, consultas e indicações, os cardeais reunidos secretamente na Capela Sistina elegeram-no o novo Pontífice. O Cardeal Sarto, segundo a tradição da Igreja - "sibi nomen imposuit" - adotou o nome de Pio X.
Manteve, no Vaticano, seus hábitos simples e uma vida de exemplar pobreza e modéstia. Mas surpreendeu o mundo com sua perspicácia pastoral. Dois meses depois de sua posse, publicou a sua primeira encíclica, já evidenciando a sua preocupação pastoral. realizou profundas reformas na liturgia, favoreceu a prática da comunhão diária e da comunhão das crianças. Condenou o relativismo religioso e, embora não tenha se apresentado como um grande teólogo - mas o era de fato - relevou-se um pastor zeloso, dedicado, vigilante e, sobretudo, santo.
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